No Meu Sótão Mora Um Gato Preto

I'm happy today

Hoje, disseste que me amavas.


Peguei no carro, percorri as ruas da cidade que me viu nascer numa condução serena, parei na avenida com cheiro a lilases e absorvi lentamente o seu perfume. Sentei-me num banco de jardim à beira rio, contemplei os patos que nadavam ao sabor das águas cintilantes pelos raios de um sol matinal e sorri com o encanto do momento.


Eu queria tecer palavras, as mais belas, mas não consegui soltar o meu imaginário que vagueou, frágil, pelo campo de flores por desabrochar. Os castanheiros balançaram nos passeios ao ver-me pular de alegria, acho que sentiram o pulsar desordenado dos meus sentidos e o bater frenético do meu coração.


Descalcei-me, mergulhei os pés na espuma fria que corria nos degraus junto à pérgula, baloicei nas sensações do que te sinto e refresquei a alma, enquanto nenúfares brancos e encarnados dançavam no riacho à mercê da corrente.


Depois, disse-te que esperava por ti.

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