No Meu Sótão Mora Um Gato Preto

o Fim de Nós

 


Querido Duarte,


 


Eu quis ir ao teu encontro, mas voltaste a fugir.


Contigo descobri que não temos a mesma alma. A tua escapou por entre as vísceras do teu coração arrefecido.


Ensinaste-me que não faço parte de ti. E tu não poderás fazer parte da minha vida.


Contigo aprendi que nem o mais grandioso dos amores pode juntar duas pessoas que não têm o mesmo sonho, que não dançam a mesma música. Mesmo aquela que escutam em perfeita sintonia. Não é livre um amor assim.


A nossa música deixou simplesmente de tocar. É hora de esquecer o que não fomos. Ficaram os retalhos perdidos no chão de uma vida apenas. A outra vida és tu e não me pertence.


Fechei o meu coração. Lancei a chave às águas de um rio que corre veloz debaixo da ponte que separa as nossas vidas. Não há retorno. O meu coração está selado.


Mas a minha alma continua a dançar e consegue libertar-se num voo sem limites. E as palavras esperam por mim em volta de uma fogueira numa noite de luar.


E eu não vou fazer soar o teu nome.


 


Laura


 

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