No Meu Sótão Mora Um Gato Preto

Um amor pela metade

Dizem que um grande amor nunca se esquece.


O que fica, então, de um amor vivido pela metade? O que sobra de um meio amor? Duplicam-se as sensações numa só alma, é o dobro da angústia, da agonia, resta a mágoa das memórias que não foram.


Que amor subsiste num coração que bate na distância, que quebra na nascença da ausência, morre na solidão que lhe merece? O autêntico, o supremo, aquele amor, o que vive das lágrimas perdidas no silêncio, do sangue derramado nas paredes de um quarto vazio e sem tecto.


Onde está o céu que se contempla de uma cama sem lençóis amarrotados? Não há pétalas de rosa em seu redor, as velas apagam-se na fuga do frio do soalho entorpecido pelos passos da demora.


Morrem as estrelas sorridentes numa madrugada quente de Setembro, são agora fantasmas do infinito.

                                                                                                                                                                                                    


1 de Setembro de 2014

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